16 de jan de 2011

O coração de quem tem um filho diabético


Existem coisas que só quem tem filhos diabéticos podem saber, coisas que outras pessoas podem imaginar, podem pensar que sabem, podem supor, mas só mesmo quem é pai e mãe de uma criança diabética pode sentir. É a mesma coisa sobre a maternidade, é o tipo de sensação que não se descreve, não se repassa, só se sabe sendo mãe. Eu lembro algumas pessoas que não entendiam certas coisas que eu falava quando fui mãe, pessoas que só passaram a entender quando foram mães, foram pais. É o tipo de coisa que não adianta... só sendo! [Tem gente que até paga a língua rsrs]
E é exatamente a mesma coisa sobre os sentimentos de um coração de mãe ou de pai de criança diabética. Os desejos, os anseios, os medos, as aflições, as alegrias, os sustos, enfim, por mais que tentemos explicar o que estamos sentindo, ninguém vai entender, a não ser que também tenha um filho diabético.
Ontem foi a comemoração dos 40 anos de uma prima querida. Foi um dia muito divertido. Agradeço por  tudo, agradeço porque correu tudo bem mas é realmente difícil lidar com as expectativas dos outros: de que você esteja sempre animado, de que você não se preocupe tanto, de que você não se estresse. Eu entendo a todos que no fundo só querem o meu bem e não os culpo pois ninguém jamais poderá sentir o que eu sinto.
Na hora dos parabéns, as 3 crianças presentes, inclusive a minha pequena,  juntaram-se a aniversariante para cantar parabéns e daí que uma delas começa a enfiar o dedo no bolo e comer glacê, uma, duas, três vezes, o outro priminho menor copia e a minha só fica olhando e até adulto enfia o dedo no glacê e põe na boca da criança incentivando a travessura e é óbvio que meu coração neste momento já estava apertado, angustiado pois antes mesmo de começar os parabéns, a Rafa já havia me pedido para comer bolo. É óbvio que eu não tenho a pretensão que retirem todos os doces do mundo pois não estaria protegendo a minha filha, pelo contrário, acredito que ela tenha que ir aos poucos se habituando com essa realidade que as outras crianças podem e ela não mas meu coração de mãe doeu de ver a cena, eu acho que no fundo eu estava torcendo é para que ela enfiasse o dedo também e lambesse um bom pedaço de glacê.
Ainda não faço contagem de CHO pois não uso insulina para cobrir carboidratos ingeridos  e como tinha apenas 2h que ela tinha lanchado 1 iogurte solzinho (com açúcar) e uma bisnaguinha com requeijão, eu falei com ela: “mamãe vai fazer o dedinho para ver como está sua glicose, se estiver boa, você pode comer!”. Não faço medição no lanche, então estava sem parâmetro mas como ela estava brincando muito sabia que seria mais tranqüilo. Medi e estava com 85 e é claro que liberei o pedaço de bolo para ela. Ela comeu toda feliz  e meu coração também ficou feliz. Depois de 2h, na hora do jantar, ela estava novamente com 85.
Eu sei que é só o início e que ainda temos uma vida cheinha de emoções pela frente! E que meu coração de mãe ainda vai bater muitas vezes apertado e muitas vezes feliz por ela e com ela!

7 comentários:

  1. Tania Querida....
    Tem coisas realmente que só quem vive a mesma experiência entende...
    Essa provavelmente foi a primeira de muitas outras situações que vcs vão ter que enfrentar, mas te garanto que a medida que o tempo passa e que vc ganha experiência, tanto vc como a Rafa são saber lidar bem melhor com a situação... O coração acalma!!!
    Principalmente quando acontece desde pequenininha como com as nossas filhas, elas crescem educadas e adequadas a situação necessária para elas...
    Dê tempo ao tempo...
    Beijão!!!

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  2. É isso mesmo que a Carol disse...

    Até hoje, depois de dois anos, mesmo comendo os doces que ela quer, quando tem uma outra criança ou adulto comendo perto dela, ela olha babando, como se nunca tivesse comigo aquilo na vida !!!

    Nessa sua situação, mesmo se ela tivesse com o número alto, EU, Nicole, daria o bolo. Por tudo que eu acredito da aceitação, da não diferenciação, essas coisas todas.

    Pra mim, é mais fácil resolver com 1U de insulina na hora, do que com uma revolta mais pra frente por 'não poder'ou por 'ser diferente dos outros'.

    Beijoooos !!!

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  3. É engraçado porque no começo, por tudo que os outros diziam do doce, quando ela ia numa festa, comia que nem uma porca, desesperada, como se nunca fosse comer de novo.

    Com o tempo e ao perceber que em todos os aniversários ela comia o que queria, o desespero foi embora. Hoje, ela recusa. Porque na hora não está com vontade e sabe que quando tiver vontade, vai poder comer, sem precisar aproveitar ao máximo aquela situação.

    Hoje, nos aniversários, é super difícil ela comer uma fatia inteira de bolo, fica pela metade, e os brigadeiros, um ou dois, no máximo. O paladar mudou.

    A gente passa a estranhar quando eles recusam um doce. É muito engraçado... são muitas sensações e emoções que vão mudando e mudando e mudando a cada passo que damos...

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  4. E isso ai Tania,
    No começo e tudo isso, mais e como a Nicole escreveu depois eles mesmo começam a rejeitar pois sabem q com a contagem eles vão poder comer, e angustia de comer como se fosse a ultima vez passa, ela ainda e muito pequena e logo logo ela vai estar dando aula de Diabetes, pq vou te falar o pior de tudo e aguentar o monte de perguntas das pessoas, olha essa e a parte mas chata.rs

    Beijossssssss

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  5. Carol, Nicole e Nildys: Obrigada pelos comentários. Vcs me acalmam pois me vejo em futuro mais madura e experiente, lidando de uma forma mais tranquila. E estou doida para trabalhar com a contagem de CHO e com insulina de cobertura, quero ter essa flexibilidade. Bjosss!

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  6. Me tocou muito seu post... deve ser complicado mesmo, e deixar a gente com o coração na mão ver isto acontecer, mas com certeza com o tempo ( como as meninas aí de cima dizem) as coisas melhoram... :) Contagem de carboidratos é muito bom, não sou mãe de diabético, mas sou diabética e sei bem o que é não "poder" comer o mesmo que os demais... força querida... passarei mais vezes aqui! Beijos

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  7. É Elisa, cada dia me convenço mais que só mesmo o tempo para por tudo em ordem. Você não é a mãe, mas a própria diabética e acredito que apesar dos sentimentos serem diferentes, não são menos importantes. Muito obrigada pela força! Apareça sempre que puder!! Bjs!!

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